Educação e comunicação para o ócio

A escola sempre encarou o ócio como um tempo morto, um período de repouso-intervalo ou de actividades extra escolares, um espaço de tentações, distracções da produtividade - os ataques à televisão, por parte do aparelho educativo, e o Homo academicus vão sempre neste sentido.


O problema do rendimento escolar hipotecado pelo ócio deve ser invertido. Na realidade, o ócio domina hoje o sistema educativo, impondo sistemas de atracção e de sedução do aluno.

O livro escrito pelo presidente da Sony alemã, Josef Brauner, aplica uma fórmula nova: entre tempo de trabalho e tempo livre, a união seria "tempo para viver". Ambos - ócio e trabalho - o são, e a fronteira que os separa artificialmente não deve ser alargada.

O ócio permite ao cidadão aceder a etapas superiores da recreação através da noção de "apreciação", ou seja, graças a um período de formação que acompanha o ócio, o individuo passa a ser capaz de fruir de todos os aspectos de um produto cultural.

Sem paternalismo, mas com a consciência de uma nova profissão, é preciso orientar o ócio como qualquer outro tipo de actividade, uma vez que o ócio não é descanso, mas comunicação.

Fonte: Comunicação e Educação na Sociedade da Informação
(Porto Editora - 2007)

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