- A dimensão subjectiva coloca a tónica na apropriação como «acto de se construir um "eu"», ou seja, acentua os centros de interesse do utilizador, as significações subjectivas de que a utilização de um objecto técnico se reveste para cada indivíduo, as formas particulares de utilização que ele imagina, a maior ou menor autonomia que ele demonstra.
- A dimensão cognitiva da apropriação, por seu lado, põe em evidência as formas particulares de aquisição de conhecimentos (descoberta das funcionalidades da ferramenta), de competências (aprendizagem do modo de funcionamento) e de habilidades práticas.
- A dimensão identitária constitui provavelmente aquela que suscitou mais pesquisas e reflexões, sem dúvida porque está relacionada com fenómenos muito ricos em significações: formação da identidade junto dos adolescentes, jogos de representações e de encenações do «eu» nos adultos, realização profissional através da utilização das TIC, etc.
Em que a identidade pessoal e a identidade social estão estreitamente interligadas...
Um primeiro exemplo, da dimensão identitária pode ser as mensagens de convívio, que surge com as comunidades telemáticas assentes em partilhas de afinidades, que também foram objecto de certas análises sociológicas minuciosas. Neste caso, a pertença a uma pequena comunidade telemática favorece o reconhecimento por parte dos outros, sedimenta, de certa forma, a identidade do grupo através da regularidade da prática. As regras de cooptação presidem à admissão no grupo, cioso de preservar a sua distinção e a sua originalidade em relação ao exterior.
O segundo exemplo da importância do fenómeno identitário que se pode citar é o dos internautas que praticam aquilo a que se chama permuta assíncrona, escrita e mediatizada no seio de um fórum público. Trata-se de utilizadores da Internet que, no seio de um fórum de discussão (newsgroups), discutem, não em tempo real, mas em diferido, e criam por vezes sítios pessoais que servem para se apresentarem.
O terceiro e último exemplo de etiquetagem social refere-se às diferenças observadas entre as práticas masculinas e femininas das TIC. As raparigas, demonstram menos curiosidade e entusiasmo do que os rapazes face a certos instrumentos de comunicação: as suas práticas articulam-se, de forma geral, em torno do sentimento de vínculo. Os rapazes também utilizam mais o computador que as raparigas, têm mais curiosidade pelas novas tecnologias, parecem ser mais habilidosos na manipulação dos equipamentos.
Apesar de as tecnologias de comunicação não terem «sexo», não são neutras: têm uma incidência nas práticas, como o demonstra o carácter socialmente sexuado da informática. Pode concluir-se que «os instrumentos de comunicação nos informam sobre o género, género esse que é construído por práticas sociais e culturais, no seio das quais as práticas de comunicação desempenham um papel central, tendo em conta o papel que desempenham na ocupação dos tempos livres».
Fonte: Sociologia dos Media - Porto Editora (2003)
.jpg)
0 comentários:
Enviar um comentário